DAEFI

Diretório Acadêmico da Educação Física / UFRGS

ENADE: uma crítica CONSEQUENTE

Os estudantes da ESEF/UFRGS boicotaram a prova do ENADE em 2007. Essa atitude, que vem em defesa da universidade publica e de sua autonomia, esta sendo tratada sem a devida seriedade por algumas pessoas, que chegam a classificá-la como “inconseqüente”. Este apontamento não considera o acúmulo realizado pelos estudantes, através de estudos e reuniões ampliadas sobre o ENADE e o Sistema de Avaliação do Ensino Superior. Como futuros professores temos a responsabilidade de refletir sobre o papel da AVALIAÇÃO na educação. Desta forma concordamos que:

 

“Avaliar não é punir ou premiar, mas conhecer os problemas e encontrar formas de superá-los” (ANDES-SN. Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior)

 

No momento em que a avaliação foca-se cada vez mais no processo, considerando as condições que levaram a um maior ou menor acúmulo de conhecimentos, esta prova se preocupa em avaliar e verificar quem deve ser punido ou premiado. Imagine seu trabalho em uma aula de Educação Física em que alguns estudantes apresentam baixo desempenho, estes devem ser punidos? E os que se destacam devem ser mais estimulados, em detrimento dos que apresentam dificuldades?

 

O que propõe o ENADE:

 

- Ranqueamento das Universidades, sem levar em consideração as condições que influenciaram nas notas;

- Premiação para os melhores colocados (estudante competindo com estudante como no vestibular);

- Avaliação centralizadora, sendo a mesma prova para todo o Brasil, desrespeitando as particularidades regionais;

- Pelo caráter competitivo, algumas universidades promovem cursos pré-ENADE, descaracterizando os reais resultados;

- Direcionamento da formação, pois como ocorre um ranqueamento, o currículo pode vir a ser direcionado pelos conhecimentos cobrados na prova, à exemplo do que ocorre com o ensino médio e o vestibular, ferindo a autonomia didático-científico das instituições.

Para além disso, a fragilidade deste instrumento é demonstrada quando, em alguns cursos, a nota nos conhecimentos específicos foi maior entre os ingressantes do que entre os concluintes, levando a constatação de que a universidade diminui os conhecimentos sobre os conteúdos que passamos anos estudando.

Com este modelo de avaliação colocado, estaremos concordando que é possível avaliar estudantes, professores, técnicos-admistrativo e instituições da mesma forma que se avalia a qualidade de componentes eletrônicos que saem das linhas de produção das fábricas, ou seja, por AMOSTRAGEM. Entendemos que por estarmos lidando com pessoas e que estas possuem características únicas, não há possibilidades de verificar o conhecimento com este tipo de avaliação.

Uma das maiores preocupações expressadas por quem tem dúvidas sobre o boicote é: “O que pode acontecer com a instituição? Nosso curso será fechado?”

NÃO! Não é simples assim! Como é expresso no Art. 10. da LEI Nº 10.861, de 4 de Abril de 2004, a qual institui o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior – SINAES, será firmado um “protocolo de compromisso” onde a instituição de ensino se compromete em relatar as condições da escola, “os encaminhamentos, processos e ações a serem adotados pela instituição de educação superior vistas na superação das dificuldades”, “indicação de prazos e metas para o cumprimento de ações” e a criação de comissão de acompanhamento do protocolo. http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/leisinaes.pdf

QUEM MAIS ORGANIZA O BOICOTE?

 

O FENEX (Federações e Executivas Nacionais de Estudantes); ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior).

- PROPOSTA: Estimular o debate acerca das formas de avaliações propostas e alternativas para verificar a qualidade dos cursos sem que sejamos tratados como apenas mais um número. Indicamos: http://www.andes.org.br/caderno2_andes.pdf

A principal crítica feita ao boicote, remete ao status (“queda” do conceito e conseqüente e suposta “queda” de credibilidade da instituição), colocando a imagem da ESEF em primeiro plano, desconsiderando se a avaliação é correta ou não. Dessa forma, colocamos que a comunidade esefiana deve se preocupar com a nossa ESEF, temos problemas graves e que são ignorados (vista grossa) por muitos setores da escola, tais como: falta de professores, o não cumprimento do mínimo de cadeiras no horário noturno, a ausência de um projeto político pedagógico e problemas curriculares, como a coexistência de 3 cursos que, segundo a opinião de professores, técnicos-administrativos e estudantes, na pratica são basicamente idênticos.

O boicote foi mais uma forma de mobilização dos estudantes da ESEF!

Foram esses mesmos estudantes, mobilizados, conscientizados, críticos e organizados (e não inconseqüentes como querem parecer que somos) que iniciaram em 2006, uma campanha pela Construção de Restaurante Universitário na ESEF! São os mesmos que ouviram – naquela época – que RU na ESEF era igual a um “Elefante Branco”, nunca vai existir! E como podemos ver com os nossos próprios olhos, está se materializando um Elefante Branco na ESEF, que irá nos servir almoço durante a semana!!!

Os estudantes da ESEF/UFRGS são referência nacional em mobilização, criticidade, organização; são essas pessoas que se dedicam para defender a educação pública, gratuita e de qualidade!

 

Para dúvidas, entre em contato com um dos membros do DAEFi, ficaremos satisfeitos em dialogarmos sobre essa e outras questões!

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